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COMPORTAMENTO

CRÔNICAS

Por: Maria da Penha Egídio “Ivany” INDIQUEIMPRIMIR

CRÔNICAS

A PROCURA DE...


Ela chegou com um sorriso apagado, rugas no rosto e olhar cansado. Parecia que o mundo não lhe servia mais.
Mesmo com tudo isto atrapalhando a sua vida seu rosto estava com uma feição bonita, era uma bela mulher que aos poucos o tempo foi machucando. Chegou passivamente perguntando com quem poderia conversar, estava precisando falar, estava precisando de paz.
Quando fui atender a moça, vi na minha frente uma figura implorando pelo fim da dor, algo insuportável de se carregar.
Sentamos e começamos a conversar, deixei-a falar muito e chorar. A todo o momento pedia desculpas enxugando o rosto. Quando me pronunciei, pedi que ela fosse devagar.
Logo falei que ela tinha perdido o marido, a filha mais velha foi embora deixando dois filhos, o segundo filho largou a esposa e ela passou a tomar conta de mais uma criança. Agora já eram três crianças mais o filho adotivo de sua mãe. O rapaz era um encostado e não fazia nada.
Como se isso não bastasse seus pais estavam velhinhos e precisavam de sua atenção o tempo todo. Ela usou uma velha frase. ”Eu não sou três, sou uma só e tenho a minha vida para cuidar. Desse jeito jamais poderei viver e ser feliz”.
Nesse momento eu perguntei a ela se tinha mais alguém em sua casa. A resposta veio com olhos baixos, só havia mais uma moça que a ajudava.
Numa exclamação impulsionada de dentro eu disse:
D. Marieta Deus lhe deu tudo isto porque tem forças.
Ela murmurou em um som choroso que não tinha tal força e me pedia para interceder junto a Deus por ela.
No silencio pedi para ela refletir o porquê de tanta dor, e de vagar tudo foi ficando bem claro.
Fantasmas do passado estavam ali, cobrando. Ouvi gritos, gargalhadas por mais de 15 minutos. Neste terror que a vi passar sua vida, ela não queria voltar mais para casa. Dizia que não sabia o que é sorrir e cantar, sua vida era só cuidar de todos e chorar.
Peguei-lhe nas mãos estragadas pelo tempo e oramos juntas. Oramos pedindo a Deus nosso pai, por misericórdia e paz. Ela procurava por um acontecimento bom em sua vida. Neste momento senti o amor de Deus e toda a sua piedade. A bela visão de todos os mentores espirituais tentando no seu carinho e assistência com a permissão divina levar o mal que acabava com D. Marieta.
Passaram dias e dias até ela voltar. Com um dos netos no colo dizia que estava feliz, porque todos que podiam trabalhar estavam empregados. Ela também havia arrumado uma casa maior e agora estava cuidando de seus pais. Suas ultimas palavras dirigidas em minha atenção foram “Não me esqueci de tantas palavras boas que ouvi da senhora”.
Levar em pratica que Deus esta toda hora conosco bem dentro de nós e conhece todas as nossas aflições. Só assim podemos superar a conta que nos é cobrado.
 

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