RECEBA NOSSAS NOVIDADES! CADASTRE-SE

HOBBY & SPORT

GOLFE

Por: Durval PedrosoINDIQUEIMPRIMIR

GOLFE

OS CAMINHOS DO AMOR NO GOLFE.

UM CONTO DE DURVAL PEDROSO


    Certa vez, um jovem chamado João, na flor dos seus 17 anos, com 10 de handicap, conheceu uma jogadora de nome Dilícia, que era uma delícia de moça. Não demorou muito para que a delícia da Dilícia virasse sua musa inspiradora no golfe e em tudo o que é uma delícia na vida. Dilícia era linda, tinha um andar gracioso, um jeito meigo e um corpo que era uma delícia só. A suavidade e doçura do swing de Dilícia causava sempre uma sensação deliciosa de se ver. Encontrar ou ver Dilícia passou a ser a mais deliciosa sensação de João; e não encontrar ou ver Dilícia passou a gerar tormentos que nenhuma outra delícia conseguia abrandar. Com o passar do tempo, aumentou em João a necessidade diária de ver Dilícia e estar ao seu lado; e chegar perto para sentir seu perfume era, obviamente, uma delícia sensorial. Jogar 18 buracos na companhia de Dilícia transformava o seu jogo. Era uma transformação para melhor. Como apenas via e pensava em Dilícia o tempo todo, João se esquecia de fazer força durante o swing, e nem sequer se lembrava das preocupações com a técnica, que sempre fora uma de suas marcas em campo. E, assim, inebriado pela deliciosa presença de Dilícia, parecia também sentir a presença dos deuses do golfe, e batia na bola com suavidade e classe, com um follow through e um finish perfeitos. Era um swing que mais parecia o dançar de uma valsa imaginária e não percebida. João constatou, deliciado, que sua fixação em Dilícia era também uma delícia para seu swing. Porém, nem tudo era um paraíso. João estava dominado por sonhos diários, por sensações inexplicáveis. Dormir, se alimentar e ir à escola eram apenas dolorosas etapas que tinha de vencer entre um encontro e outro com sua Dilícia. Cada minuto longe de Dilícia parecia uma eternidade. Como Dilícia ia normalmente quatro vezes por semana ao clube, ele passou a ir seis vezes, menos na segunda-feira, quando o clube era fechado. João queria evitar o doloroso acaso de ela alterar sua agenda e ir ao clube em um dia em que ele não estivesse. Ele queria se tornar mais íntimo de Dilícia; mas ela, como toda deusa, mantinha sempre certa distância, demonstrando uma deliciosa educação e um delicioso recato que apenas serviam para deixar João cada vez mais e mais deliciado. Dilícia era deliciosa à distância; e, assim, a única delícia real e duradoura de João foi que, de tanto treinar e jogar pensando em Dilícia, em pouco mais de um ano seu handicap chegou a 2. O fato de o jovem estar jogando muito bem não passou despercebido a ninguém no clube. Agora, João era um jogador requisitado. Mas ele só queria estar com Dilícia, falar de Dilícia, pensar em Dilícia; e, assim, João endoidecia deliciosamente. Com medo de fazer uma declaração mais forte de seus sentimentos a Dilícia, e, assim, perder aquele amor platônico que já lhe fazia tão bem, João foi suportando a deliciosa tortura de um relacionamento de amizade quando a amizade não é suficiente. Mas a natureza tem seu próprio curso, e num final de tarde de outono, quando ele e Dilícia jogavam sem caddies, a força dos seus sentimentos quase arruína sua reputação de bom moço e respeitador dos bons costumes. Quando estavam passando perto de uma área de proteção ambiental, o seu desespero era tão grande, que por muito pouco não carrega sua Dilícia mata adentro para abrandar seus anseios quase loucos. A deusa Dilícia, que de boba não tinha nada, deu pequenos sinais de ardentes desejos também reprimidos, para logo em seguida desvencilhar-se com muita elegância e sabedoria. Depois do delicioso incidente com Dilícia, acertar na bola foi o maior desafio para nosso príncipe de handicap 2. João parecia um iniciante que mal acertava uma tacada simples. Ele não dormiu naquela noite. As horas se arrastavam entre gestos de desespero e carinhos imaginários. Nas três noites seguintes, tudo se repetiu; e o nosso herói parece ter ficado realmente doente, pois não foi ao clube por três dias seguidos. No quarto dia, saiu de seu entorpecimento e decidiu o que ia fazer. Foi ao clube, mas não para jogar. Ficou esperando a chegada de Dilícia; e quando viu o carro dela adentrar os portões do clube, mal esperou o fiel motorista que a acompanhava todos os dias abrir a porta do carro, e lá estava ele bem ao lado dela, gaguejando de emoção e dizendo para sua Dilícia que precisava muito falar com ela a sós, e tinha que ser naquele momento. Ela tomou um susto inicial, mas logo entendeu tudo, pois desde aquela ousada abordagem na área de preservação ambiental, não havia mais a menor dúvida sobre os anseios do moço; e acabou concordando em ir num canto de uma das mais belas salas do clube para conversarem. Mal se sentiram confortáveis no canto da sala, João despejou sobre a moça todos os seus sentimentos. A deusa Dilícia reconheceu que estava extremamente lisonjeada com a declaração; disse também que nutria enorme simpatia por ele, que gostava muito dele como um excelente parceiro de golfe, mas não queria se envolver emocionalmente com ninguém. Dilícia tinha planos de estudar e fazer carreira no exterior. Mesmo atordoado pelo balde de água fria, João foi em frente, e entregou a ela um presente, uma espécie de puzzle onde os pedaços de papéis traziam desenhos de bolas, tacos, flores e campos, todos eles com delicadas mensagens de amor. Ao ler cada uma das frases escritas com tanto esmero e carinho, e eram dezenas, Dilícia foi sendo tocada pela sensibilidade e pelo talento de poeta do seu companheiro de golfe. Dilícia acabara de descobrir a autenticidade dos sentimentos de João.  Ao terminar de ler as mensagens, Dilícia, num lance rápido, como se fosse um drive batido como muita vontade e confiança, puxou João para si e lhe deu um demorado e apaixonado beijo na boca. João sentiu, pela primeira vez em sua carne, as delícias que durante tanto tempo apenas sonhara. Quando ela se afastou, ele estava petrificado de felicidade, abobalhado de alegria, e incapaz de balbuciar qualquer palavra. Logo em seguida, Dilícia correu para o vestiário feminino, e voltou pronta para jogar uma partida de 18 buracos com seu querido amigo. Assim como João, ela estava feliz e radiante. Naquele dia maravilhoso, João jogou três abaixo do par; e só não quebrou o recorde do campo porque parecia estar no mundo da lua.

Comentários

2010-2013 Revista NINE - Todos os direitos reservados.

contato@revistanine.com.br
desenvolvido por Natus Tecnologia